Todd - una vida encantada

Foto de Todd Breese
Intertexto com 'Prospecção' de Miguel Torga
Mãos de mulher afagam com languidez os caracóis cada vez mais brancos da cabeça de Todd. Os olhos verdes são de criança ávida. Ávida por viajar. O tesouro sagrado. A fortuna de tocar a vida na totalidade. Una vida encantada - as palavras gravadas num dos braços. No outro: just breath.
No verde flamejante que a chuva tropical regou, renasce o azul real de um colibri.
Todd caminha de mochila às costas. Just breath. Mãos livres para receber o calor do café torrado. O aroma quente desfaz-se no sabor doce e macio, líquido, dos grãos transformados em café.
Salento. Universal riqueza. Peneira os grãos de primeira qualidade. O vermelho fogo das orquídeas guiam o caminho - um poema colorido. Sem nenhuma certeza voa a borboleta negra de listas amarelas. Só deseja a fortuna de se encontrar. Todd. Viaja com a sede antes da fonte. Não são pepitas de oiro o que procura. A casca doce de uma tangerina, o sabor que revolve a solidão. Puro como o deserto, Todd abre os olhos. Arregala os olhos; fica inteiramente nu e descoberto. A alma triste e desperta sorri numa brancura que ofusca. Cava, lava e peneira. Só deseja a fortuna de tocar o infinito. Em Salento, o vale Cocora é a ponte para Cuba. Carrega mil certezas de aluvião. Mãos de mineiro. Soterradas foram, com o oiro dentro de si. Cava, lava, peneira. Caminha de terra em terra. Buscando aqui e acolá. Um poeta antes dos versos; procura apenas a riqueza universal: o tesoiro sagrado de um café doce e suave. As pepitas de oiro para uma alma triste... de vez em quando. Puro como o deserto, Todd numa terra singela: Salento verdejante.    
30 de Maio de 2015
Salento, Colômbia

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