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Às vezes é assim...



Desenrugo o sobrolho, e desfiro ataques sobre as teclas. Desmanchando ilusões, procuro desconstruir um discurso desconexo.
Distingo, ao longe, a sombra de um sorriso. É destituída de interesse, a pessoa que o desfia. Os dedos prosseguem, sem que eu saiba para onde me levam. Sem que eu saiba qual é a palavra seguinte.
Nem sei como estas letras ficam gravadas neste espaço virtual. Só aqui. Porque cada vez que a tecla apaga, apaga mesmo. Nada fica neste lugar imaterial. Nada fica no meu espaço cerebral. Outro sítio incompreensível para a maioria dos mortais. E cá estou eu novamente neste tema que, de camada em camada, se cristaliza, não sei onde.
Finto o tema da (i)mortalidade e procuro o ideal no ar tépido da noite. Fujo das lembranças, mas a máquina do tempo está encravada. Fito a eternidade com máscara, escondendo os olhos cheios de pensamentos. A imagem é turva. A da memória de chumbo. Finjo que sou mais leve e voo para outras águas... em menos de uma hora.
O silêncio é de tal modo ruidoso, que qualquer lugar é melhor que este. Aqui não existem pensamentos vazios. As vozes são surdas e provocam o espírito mais absurdo.
Acelero. Tropeço nas horas. A fraqueza aperta os pulsos e quase caio. Prefiro voar. Num lapso de cálculo estou mais além. Sou noutro alguém.

19 de Janeiro, 2018
Matosinhos, Portugal

Porto, um caso de amor *




You know I love you so – cantavam dois dos muitos músicos que nos dias de hoje pintam a cidade do Porto. Em frente ao Cubo, na Praça da Ribeira, escutava um sentimento confirmado numa versão com sotaque desconhecido de Yellow.
A expressão ‘nos dias de hoje’ não é despicienda, tão-pouco é estranho escutar sotaques e idiomas diferentes entre o número crescente de estrangeiros que a visita. 












A cidade do Porto: quem a viu, quem a ouve. Os tons musicais variam em cada esquina, ou em frente a uma casa amarela, ou vermelha ou azul, com sons e ecos diversos. 

O centro histórico vai-se transformando, rejuvenescendo numa paleta de azulejos multicores, procurando manter a sua marca registada nas fachadas. É possível que a Rua das Flores seja um dos exemplos mais ilustrativos dessa renovação tão colorida e musical, quanto polémica, como se lê num protector de obra – ‘o turismo mata os bairros’. Será que quem escreveu se refere à Ourivesaria Aliança, onde a jóia é o chá, ou à mercearia das flores, onde há quem se deleite a degustar os produtos regionais, de preferência biológicos?

You know I love you so: Porto! No cais da Ribeira, local onde terminou a nossa visita, os acordes da guitarra embalavam como um barco rabelo. Se antes este tipo de embarcação trazia as pipas de vinho do Alto Douro, hoje é uma das opções para contemplar o Porto ao longo do rio. O Douro, que nessa quase noite de céu limpo, espalhava as luzes do Mosteiro da Serra do Pilar. Eram estrelas cintilantes que, na varanda do mosteiro da outra margem, convidavam à travessia da Ponte Luís I – um dos miradouros mais altos para apreciar a cidade. Outros há, como seja o da Vitória ou o do Jardim das Virtudes. Este é, aliás, um lugar muito apreciado para tomar um copo ao fim do dia, enquanto o sol se deita... devagar. O pôr-do-sol que a câmara fotográfica de Miguel, de origem senegalesa a viver em Barcelona, gravou quando lhe perguntei qual era a sua melhor fotografia até ao momento.
Também o nosso grupo aí se detivera antes de descer as escadas da Vitória, não apenas para registar o momento para a posteridade, mas igualmente para guardar uma memória gustativa. Por sugestão de um dos elementos do grupo, deixámo-nos ficar algum tempo na Taberna Santo António, numa das esquinas do Passeio das Virtudes. Rissóis de queijo, pasteis de bacalhau e mousse de chocolate: algumas especialidades da casa que tivemos oportunidade de provar, acompanhando com o vinho da casa, como o fizeram a Rita e o Filipe.

Isso foi depois da visita ao Centro Português de Fotografia, alojado na antiga Cadeia da Relação na Praça dos Mártires da Pátria. A exposição permanente do espólio de António Pedro Vicente, com uma quantidade e variedade de máquinas e material fotográfico desde a origem da fotografia, é imperdível para os amantes da fotografia. Também para os amantes da literatura do período do romantismo, já que foi nessa antiga prisão que Camilo Castelo Branco terá escrito, em duas semanas!, Amor de Perdição. Da sua então cela, a vista é de cortar a respiração, sendo a Sé Catedral o elemento mais proeminente de quem se deixa ficar por instantes que seja, e assim captar um pouco da magia da Sé... do Porto.

A magia pairou através de um casal de meia idade. Os chapéus que o senhor e a senhora traziam, aliados à elegância com que se moviam, como que flanando por entre as ‘celas fotográficas’, provocavam o nosso grupo, originando uma curiosidade quase generalizada. Não resisti. Sorrindo, elogiei o casal e perguntei se poderia fotografar duas pessoas tão bonitas como elas. Do alto de dez centímetros dos saltos dourados, a senhora de cabelos louros presos sob o chapéu preto anuiu com simpatia. Agradeci. A fotografia é apenas uma das provas de um amor sem perdição, mas em crescendo... Porto, you know I love so!


11 de Janeiro, de 2018
Porto, Portugal

* Texto escrito no âmbito do workshop de escrita de viagens ministrado por Filipe Morato Gomes

Apanha que é ladrão!*







O bigode ralo a contornar o fino lábio superior está muito preto e muito bem penteado. Cantiflas foge. Corre a sete pés. Acabou de pegar numa maçã e pôs-se em fuga. Passou por uma mercearia com cestos de fruta à porta e não resistiu. Não havia preços em nenhum dos cestos de fruta e Cantiflas presumiu que fossem para tirar. Presumiu mal. Logo que pegou na maçã mais vermelha e brilhante, o sr. José, o merceeiro, apareceu para cobrar. Cantiflas não resistiu. Correu. Fugiu. Tem outra vez sete anos. Não quer saber do sr. José que está à porta a gritar:"apanha que é ladrão!"
Cantiflas tem novamente sete anos e corre feliz pelas ruas da cidade do interior. Os poucos transeuntes escutam confusos: "apanha que é ladrão"; mas não vêem nenhum ladrão. Vêem um homem a correr e a rir às gargalhadas com uma maçã lustrosa na mão. Não percebem o que se passa, os transeuntes. Alguns reconhecem o tolo de trinta e tal anos que está sempre contente e satisfeito sem razão aparente, todavia não identificam como o ladrão do homem da mercearia que entretanto desistiu do seu "apanha que é ladrão".
Mais uma maçã, menos uma maçã, "não vou ficar mais pobre por isso", deve estar a pensar o sr. José. Na próxima vez que o tolo passar em frente à sua loja, estará certamente mais atento.
Cantiflas chegou à praça principal e senta-se satisfeito num dos bancos em frente à fonte luminosa, que só o é à noite. Ainda são três da tarde e o calor, esse aperta nesta tarde de Agosto. Um calor muito seco nesta cidade entre montanhas.
Cantiflas contempla a maçã. Tão vermelha. Tão brilhante. É um "crime" dar uma dentada. Assemelha-se a um bibelô de tão perfeita, de tão vermelha, de tão lustrosa e redonda que é. Cantiflas penteia o bigode com uma mão e com a outra traz a maçã ao nível dos olhos negros, muito fundos nas suas órbitas.
Daqui, noutro banco muito próximo, vejo o reflexo do vermelho nas suas pupilas. Estou expectante quanto ao que o tolo da cidade vai fazer de seguida. Demora-se. Eu também me demoraria. Aquela peça de fruta é magnífica. Seria assim a que a bruxa malvada terá oferecido à branca de neve? Apesar dos avisos que os sete anões lhe fizeram repetidamente, branca de neve sucumbiu à tentação e trincou. E adormeceu... Até que o príncipe a beijou!
Cantiflas não trincou... Ainda. A maçã continua a reflectir-se no seu olhar. A pele cor de canela sobressai por detrás da maçã. Cantiflas move-se. Tira do bolso largo das calças axadrezadas um bloco de notas. É verde alface. Muito verde, o bloco agora em cima do banco de madeira recentemente envernizado. Em cima, a maçã. O bigode alarga-se. Segue o sorriso maroto de Cantiflas. Aprecia a figura geométrica. A maçã muito redonda, muito vermelha e muito lustrosa sobre o bloco verde também me suscita um leve esgar. Talvez me coibisse igualmente de morder a perfeição que Cantiflas contempla.
Levanto-me. Deixo-o a sós com a merenda roubada. Apanha que é ladrão. Ladrão, talvez, mas não um ladrão qualquer. A mim roubou-me a tristeza de ser adulta. Também eu volto a ter sete anos.
Levantei-me. Caminho devagar, sem dar nas vistas. E sigo dissimulada em direcção à mercearia do sr. José.  


*este textoé dedicado ao tio Manuel, que me levou muitas vezes ao cinema do Foco para ver os filmes do Cantiflas

Miriam, a feiticeira eternamente jovem




O poder de Miriam: prever o futuro. Nasceu numa noite de Lua cheia. Noite de eclipse lunar horizontal. Nessa noite, não se sabe de que ano, a Lua e o Sol eram simultaneamente visíveis e a sua cor alaranjada refracta-se ainda nos cabelos vivamente ruivos de Miriam. Nas noites em que a Lua está totalmente ausente, a escuridão inibe qualquer um de se aproximar do castelo no topo do monte onde Miriam vive, aipotU, cujo nome é igualmente o da aldeia onde os habitantes vivem tranquilos: como não? O futuro é algo que não os ocupa por muito tempo.
De resto, quem quer saber como será o seu futuro mais ou menos próximo; quem quer preparar-se para um acontecimento mais ou menos importante; quem pretende precaver-se em relação a visitas mais ou menos agradáveis, mais ou menos indesejáveis; quem suspira de amores mais ou menos correspondidos; ou ainda quem necessita adivinhar se será ou não atacado por inimigos mais ou menos perigosos recorre a Miriam – a feiticeira até hoje incompreensível na sua perene juventude.
Miriam: um enigma para o comum dos mortais – não só não é comum, sendo igualmente pouco provável que seja mortal. De geração em geração vão-se contando histórias fantásticas, efabulando-se eternas teorias sobre a maga. Ninguém sabe ao certo quantas gerações terá atravessado. Os seus longos e encaracolados cabelos mantêm um brilho incandescente, e os seus olhos ora verdes, ora azuis, mas sem dúvida luzentes, deslumbram qualquer que ouse saber como agir num tempo para lá do agora.
É possível, especula-se, que nem a própria maga tenha noção do tempo da sua já muito longa vida terrena. Essa especulação deve-se à percepção de que nem sempre (ou quase nunca) Miriam se recorda da razão por que regressam as pessoas para agradecer, nem tão-pouco dos rostos repetidos. Assim, se pressagia sem qualquer margem de erro, quando aqueles que voltam com oferendas como forma de agradecimento, nunca sabem como agir. Miriam, a jovem maga, nunca se recorda dos visitantes. A sua memória esvai-se em cada adivinhação. Isso não lhe retira o poder, nem tão-pouco a confiança insofismável que lhe é atribuída.
Apesar da fé que lhe é depositada e até mesmo segurança que auxilia a manter na aldeia aipotU e em redor, as pessoas ficam sempre levemente deslumbradas, levemente assombradas com a pele lisa e sardenta de Miriam. A sua juventude não é compreensível, resultando frequentemente na apreensão expectável de quem não acede a uma explicação racional de tão longa existência. Quem já se aventurou a olhá-la de frente assevera que não terá mais de vinte anos. Não obstante, ao contrário de todos os que a visitam, a idade é provavelmente multiplicável por cem ou duzentos ou mesmo trezentos anos. No castelo onde vive, a decoração é ancestral e impossível de datar.
A curiosidade sobre os anos, décadas ou mesmo séculos da sua existência nunca terá, então, sido satisfeita. Além disso, as suas mãos são de uma pele tão perfeita e imaculada que se tornam mais um elemento inexplicável, aumentando o mistério que a rodeia. O seu corpo alto e magro concede-lhe uma autoridade que somente uma feiticeira consagrada detém. Como é possível, questiona-se. Ninguém conseguiu ainda descortinar como se conserva jovem, sábia e afinal um oráculo vivo – assim a designam os habitantes de aipotU.
O segredo está na Lua nova. Esse detalhe, porém, é esquivo às populações circundantes ao castelo. Tão-somente receiam as noites mais escuras. No fundo, como se pressentissem o evidente. A Lua nova é o instante em que Miriam se coloca em posição receptiva: as suas mãos abrem-se como barbatanas e um formigueiro inicia-se desde a ponta dos dedos até aos ombros, espalhando-se por todo o corpo. A sua graça é lunar. Aliás, sem que isso seja do conhecimento de qualquer habitante em torno do castelo, e provavelmente de todo o continente – a Lua perde o seu conteúdo para o enviar em formigal para Miriam.
E Miriam. Miriam tem nas sardas do rosto de feições perfeitas a lembrança constante da desmemória contínua. Isso é sabido; Miriam raramente se recorda de quem a visita duas vezes. Não é apenas essa lacuna no passado da maga. Na verdade, essa ausência justifica as outras ausências: a de vestígios de envelhecimento. Se não tem memória, como pode então o corpo envelhecer?
As sardas, retomando, são muito mais que sardas. São afinal a presença constante da Lua. O formigueiro que a percorre nas noites novas, mantém-se nessas pintas. Miriam sente o rosto em constante frémito. É um formigal lunar em si. É muito ténue. O movimento constante das suas sardas é tão discreto que nunca ninguém suspeitou. Miriam, todavia, não se esquece jamais dessa constante turbulência na sua face sempre jovem.
A sua capacidade inesgotável não é, porém, apreciada por todos e muito menos pelos habitantes da povoação vizinha. Na verdade, há muito que se espera um ofensiva de ipotsiD – a cidade que sempre teve como objectivo dominar toda a região aipoT. O único lugar que não está subjugado ao seu domínio é aipotU, talvez pela constante prevenção. Isso, no entanto, não abala a tranquilidade de aipotU. Os seus modos de vida concedem-lhe a autonomia necessária para viverem de forma confortável e simples. O rio que nasce no monte aipotU é uma fonte de vida, gerando riqueza suficiente aos habitantes.
Ora, a paz que se vive em aipotU é alvo de inveja por parte da população de aipotsiD, em particular pelo seu governante: Rimami – um homem despótico, cujo prazer se restringe em dominar todo o território de aipoT. Ao ponto de ter enviado várias vezes um espião a aipotU, a fim de obter informações que o auxiliem a finalmente investir com êxito sobre a aldeia. O espião pouco lhe valeu; a informação obtida é do conhecimento geral: a feiticeira Miriam.
Por conseguinte, Rimami mandou outro informante percorrer toda a região. O objectivo era averiguar se existiria alguém que pudesse anular a capacidade de prevenção de Miriam e assim assaltar o castelo sem que esta pudesse alguma vez prever. Os seus intentos foram finalmente alcançados e o tirânico Rimami reuniu-se com o bruxo Mairim. Traçaram de imediato um plano: preparar uma cilada à jovem feiticeira que a obrigue a sair do seu castelo. Rimami confia que o seu poder se circunscreva às muralhas que a envolvem e, consequentemente, a protegem.
O bruxo Mairim engendrou o plano malévolo: provocar um incêndio nas imediações do castelo. Claro que isso poderia ser previsto pela própria Miriam, no entanto, o desafio é o estímulo que incendeia a maldade do bruxo e este tem já uma ideia fulminante. O seu poder permite-lhe atear uma fogueira poderosa sem que tenha de se deslocar à aldeia e, portanto, sem ser visto ou previsto o seu procedimento malvado.
A bruxaria de Mairim está precisamente em conseguir transformar o seu corvo – o animal que o auxilia nas suas artimanhas malignas – num fósforo aceso, no momento em que alcance a janela da torre onde Miriam se recolhe. O intuito é então queimar até às cinzas a feiticeira. Quando Rimami escutou o bruxo, os seus olhos fundos e demoníacos brilharam com tal intensidade, que o seu rosto rugoso se transmudou num esgar que jamais se poderia comparar a um sorriso, tal a malignidade entrevista.
A noite prevista para o assalto era de Lua nova. Aquela em que Miriam descansa e restabelece os seus poderes adivinhatórios. As condições óptimas, por conseguinte, para os planos malvados: assim eles se fiaram. No entanto, quando o corvo saiu em vôo alucinado até à aldeia da paz, as nuvens tornaram-se inesperadamente cinzentas. Sem que ninguém contasse, o céu ficou carregado de uma camada espessa de água repentina e inexplicavelmente acumulada nas nuvens. A torrente de água rapidamente se tornou numa tempestade incomensurável, abortando todos os planos anteriormente preparados pelos velhos perversos.
Os muros densos de água alagaram todas as povoações da região. O palácio do tirano Rimami em aipotsiD ficou, inclusivamente submerso, e o governante apenas se salvou por um triz. O bruxo, esse, desistiu de tentar novamente. Confessou mais tarde ao seu mandante que, com efeito, nada mais podia fazer: era quase certo que houvesse algo mais para além da própria maga e, como tal, não tinha como aceder ao pedido.
Na aldeia de Miriam ninguém suspeitou do sucedido. O único vestígio do pretenso ataque foi uma chuva de vários dias, que até foi muito bem-vinda, dado o calor que se fazia sentia há já algumas semanas. A protecção que se fazia sentir não foi como tal posta em causa... até um dia.
Passados alguns meses, chegou ao castelo onde Miriam vivia, há tempo indeterminado, um forasteiro. Não seria caso estranho, se não suscitasse tanta ou mais curiosidade que a própria feiticeira. Curiosidade é, naturalmente, um termo redutor para se aplicar à personagem que lentamente percorreu as calçadas da aldeia onde o castelo morava. Em cada passo em frente, a leveza que conduzia o homem de capote negro tinha um efeito sonoro: as portas das casas iam-se encerrando. A altivez do corpo, que parecia deslizar sem tocar no chão, assustava tudo e todos. Adivinhava-se o seu destino, que só por entre as portadas semi-cerradas se confirmou pelos olhares escondidos e receosos dos aldeões.
Jonas (não o bruxo Mairim) alcançou as muralhas e entrou na torre de menagem. O que aconteceu depois ficou desconhecido aos habitantes, que de resto não calculam que meses antes se engendrara um assalto à sua pacatez. Só as pedras das paredes interiores podem informar do sucedido. Jonas tinha uma missão. Acabar com a eternidade de Miriam. Sem que o soubesse racionalmente, a feiticeira adivinhava que mais tarde ou mais cedo seria visitada por um certo mágico a mando de Rimami.
Era Jonas quem chegava. A Lua era nessa noite completa. Estava, pois, em aberto qual o desfecho que também as estrelas aguardavam expectantes. Na fase da Lua nova anterior, Miriam procedera como usual – era ritual que lhe estava gravado na pele e cuja memória não era de todo necessária. Agora que a Lua chegava ao seu pleno, Jonas ali estava para suspender uma vida com multi-vidas, tantas vidas que era impossível vislumbrar.
No olhar negro como o capote desse homem ainda mais alto que Miriam, a feiticeira antecipou o que há muito esperava: o seu fim. Era quase com satisfação que recebia aquele não tão estrangeiro na sua torre.
-       O que queres?
-       Sabes ao que venho?
-       Tu dir-me-ás.
-       Tu já sabes.
Palavras apenas imaginadas pelas paredes maciças. A mensagem era telepática e Jonas não precisou de mover os lábios grossos – tal qual as suas mãos debaixo das compridas mangas. Aproximou-se de Miriam. O que pareciam ser mãos rudes, eram afinal extremidades poderosas. Miriam recebeu-as no seu rosto. O toque foi enfim suave e provocou-lhe um choque equiparado ao que nos dias de hoje se designa de eléctrico. O contacto electrocutou as formigas – as sardas de Miriam apagaram-se num ápice.
No instante seguinte, Miriam jazia na sua cama. Os olhos fecharam-se. No instante seguinte àquele instante, Jonas juntava-se-lhe no leito. Guardava com carinho uma das mãos da ainda jovem. O sono da feiticeira prolongou-se pelas sete noites de Lua cheia.
No quarto minguante, Miriam despertou. Ao seu lado, Jonas. Descurando a presença masculina, a maga deu um pulo e abeirou-se do espelho. Quando viu o seu reflexo, Miriam lembrou-se de repente dos seus pais. Há quanto fora? Ah, sim... os olhos azuis, e verdes em simultâneo, continuavam brilhantes, mas...
Durante essas noites de Lua cheia, a aldeia de aipotU suspendeu-se no tempo. Uma fogueira na praça foi continuamente avivada e todas as noites, sem falhar, todos os habitantes, sem que algum falhasse, se juntavam numa espécie de reza colectiva em prol da sua protectora. Quando a Lua alcançou a sua fase crescente, os habitantes tinham a mesma informação aquando da chegada do forasteiro: nenhuma! Só não estavam às escuras pelas chamas incandescentes da fogueira.
Foi então que o inesperado aconteceu. Nessa noite, enquanto em mantras desconhecidos em redor da fogueira, a população de aipotU parou o murmúrio ininteligível: em passos muito lentos e muito velhos, aproximava-se uma figura feminina vinda do castelo. No momento em que o seu rosto pálido, rugoso, sob um cabeleira farta, mas sem cor, os alcançou, os aldeões entoaram um ah colectivo de surpresa. Era Miriam, não a jovem oráculo, mas uma velha muito velha, tão velha que só a conseguiram reconhecer pelos olhos cintilantes.
Durante essa noite ninguém arredou pé. Todos queriam saber o que se passara. Mais do que isso, receavam que dali em diante a sua confiança no futuro estivesse em causa. Miriam juntou-se à fogueira e contou a sua longa história... pelas sete noites seguintes. Quando finalmente a Lua atingiu novamente a sua fase plena, Miriam adormeceu... eternamente.


A janela do restaurante: uma imagem a dois tempos




A partir de "The restaurante window" de George Segal

De que matéria é feita o gesso?
De que substância são feitas as figuras de gesso?
O gesso: uma amálgama disforme, receptiva às mãos do artista. Antes de começar a esculpir o projecto desenhado no papel, o artista senta-se no banco de madeira. Esse banco em frente à varanda aberta para o mar. Aí detém o olhar sobre a espuma das ondas que tocam suavemente a areia. Também com suavidade pretende tocar na massa já pronta.
A janela do restaurante é larga, como longos são os dias da mulher do lado de dentro. Está sentada à mesa ainda vazia – tão vazia como as suas longas horas em espera. Aguarda companhia, mas no outro lado da mesa não existe qualquer cadeira para que alguém se sente. Nunca lhe colocaram outra cadeira, apesar de aí se deslocar todas as noites para jantar. O empregado está acostumado ao olhar da mulher – expectante e vazio. Não há necessidade de lhe lembrar que a cadeira ficaria, como sempre, desocupada.
O artista junta as palmas das mãos grossas elevando-as ao nível do queixo. Em posição de quem vagueia pelos meandros da imaginação; os dedos indicadores tocam os lábios, enquanto os olhos semicerrados perscrutam o movimento ondulatório e a sua marca gravada na areia, mesmo que por escassos segundos.
De pernas cruzadas sob o tampo amarelo, a mulher de feições tristes permanece com os braços sobre a mesa. As costas um pouco curvadas transparecem o peso dos anos, quiçá em solidão: o que o risco em oval descendente da boca selada sugere. O perfil está imóvel, com o olhar parado em frente. A janela ao seu lado direito não a convida, nem tão-pouco oferece um estímulo para que a cabeça faça qualquer movimento, mínimo que seja.
Após alguns minutos de contemplação da maré que vai lentamente subindo, o artista de bata que há muito deixou de ser branca levanta-se e arregaça as mangas. Sente-se pronto para receber a ordem da voz da maresia. Aguarda o chamamento que dará ímpeto às suas mãos calejadas.
Apesar de ser hora de jantar, a afluência ao restaurante está apagada. Apenas uma cliente. A que se vê da janela alta que expõe o interior da sala. Não há muito a observar. Uma mesa (pouco) habitada, uma pessoa a morar temporariamente à mesa. Uma parede branca desabitada. O possível observar pelo homem no exterior, se olhasse.
Como materializar o esboço em cima da mesa de trabalho? O artista quer solidificar uma ideia através da forma que o gesso irá ganhar. Depois de estudar minuciosamente o desenho no papel, chama os pais para a oficina. Precisa da sua pose a fim de confirmar o ainda projecto. Serão o molde para as figuras a encenar.
De mãos nos bolsos, o homem tão idoso como a mulher no outro lado da janela, congela os passos que eventualmente daria. Com uma perna à frente da outra, simula um caminhar absorto – a cabeça ligeiramente inclinada lança um olhar em frente que observa apenas os pensamentos.
Tranquilo e compenetrado, o artista envolve os pais com a matéria moldável. O pai, numa posição que se quer mostrar dinâmica – em pé como quem caminha. A mãe, sentada de pernas cruzadas com as mãos velhas sobre uma mesa. Os modelos em voluntariado compulsivo assistem, sentindo na superfície corporal o invólucro que lhes é aplicado de forma cuidada e atenta. Quanto tempo terão de se manter nesta posição? Questionam em silêncio para não romper a criatividade do filho.
Quererá o homem olhar através da janela? Adivinhará uma imagem semelhante à da noite anterior? Aquela de uma mulher tão ou mais só que ele próprio. Nem por isso entrou nas noites anteriores e nem por isso pretende alterar o seu comportamento, hoje. A solidão em que se revê no reflexo da janela impecavelmente transparente é mais segura do que o encontro com a desconhecida – também ela segura na sua mesmice. Uma verdade bruta de que ambos preferem desviar-se, essa a que os separa num tempo sem relógio. Entrar no restaurante seria quebrar uma realidade escolhida, ainda que sem vida.
O silêncio necessário para que o artista dê continuidade à sua obra é supremo e perfeitamente respeitado pelos pais, mesmo que não se identifiquem com o desenho no papel vegetal pousado sobre a mesa de trabalho. Observam, quietos. Não há nada a dizer. Estão acostumados a serem usados. Gostariam de estar noutra posição, aquela que os une enquanto progenitores. Todavia, o filho nem sequer olha para eles como tal: apenas objectos de expressão de uma voz que desconhecem.
O que resta das vidas já esquecidas. Sempre os mesmos lugares, sempre as mesmas pessoas, sempre os mesmos adereços. Tudo em branco. Assim se observa deste lado de uma instalação que se pretende admirada, compreendida. Quem ali está encenado, deve ser alguém que se projectara de algum modo, mas que resultou num espaço em branco: tal qual a parede nua.
O artista escuta atentamente o mar. De quando em vez o seu olhar desvia-se para a espuma e os seus ouvidos atentos guardam a sonoridade das ondas que levemente tocam na areia fina. Agradece calado à disponibilidade dos pais por serem o modelo do que felizmente nunca foram. Agradece calado aos pais por se manterem sem questionar a obra que espera ser contemplada. Haverá alguém que se queira esvaziar de si para o admirar?






A mosca


Esta história é simples, mas foi comigo que aconteceu. Quer dizer, comigo e com uma mosca. Como o insecto não tem a mesma linguagem que eu aprendi, partilho contigo que a lês: obrigada!
O nome por que fui batizada é Célia: dou-te este elemento para que me identifiques de algum modo. Dou-te outro: nasci há vinte e seis anos. “Já ninguém tem vinte e seis anos!” – a minha vizinha um dia destes. Fiquei admirada com o seu tom. Parecia saudosa desse seu tempo, apesar de ter um rosto que adivinha pouco mais de trinta.
Eu ainda não sinto saudade nem dessa idade nem das anteriores. E tu, que estás nesta página, costumas ter esse sentimento face ao que passou ou ao que virá? Achas que vale a pena? O passado já não existe e o futuro não sabes se alguma vez o terás ou pelo menos no modo que gostarias – se é que sonhas com o que há-de vir.
A mosca. Esse belo insecto, quando vem só e nos vem dizer que a temperatura exterior queima: a sua razão para querer estar na nossa sala fresca. Se vives no Porto como eu, tu que estás ainda à espera da história que te disse ser simples, saberás que a presença daquele ser minúsculo de asas não estava no meu quarto por causa do calor. Janeiro ainda não acabou: o que significa que faltam muitas semanas para que a temperatura se altere de forma notória. Isto é relevante para ti, se como eu te sentires mais confortável com o sol mais forte.
Porém, os porém são frequentes na vida: é o seu sal: há quem diga. Não sei se o sal é assim tão bom: a minha comida até costuma ser insossa... para os outros. De qualquer modo, nem sequer é um porém pejorativo aquele a que me reporto. Neste mês de Inverno aceito o frio e frequentemente até de bom grado. Malgrado as frieiras que estão em visita – por muito mais tempo que o desejável: se é que tal coisa possa ser desejável.
A mosca. Ainda está aqui. E tu? Ainda bem, obrigada. Entrou sem pedir licença. Já se sabe que se o fizesse eu não lhe daria autorização. É por isso até que às vezes o melhor é não pedir. Queremos, pegamos. Queremos fazemos. Se o outro ficar incomodado, que diga!
Apesar de estar sozinha no momento em que a janela aberta lhe deu essa oportunidade, preferia esse estado: mais vale só que mal acompanhada. Repara que não o digo por dizer. Não é treta. A tal vizinha saudosa é que de quando em vez me pergunta: “Ainda é solteira? Olhe que está na altura de juntar os trapinhos”. “Sabe como é – desculpo-me por cortesia – nem todos apreciam o sol de Maio. E eu gosto mesmo dele durante esse mês – em especial quando o posso contemplar na sua hora nascente”.
Parece-me que a minha vizinha não sabe bem do que falo, assim como não sei se tu aí do outro lado da página virtual acolhes esta minha característica com simpatia: a de ver o nascer do sol... quase todas as manhãs.
Hoje foi o caso. Foi precisamente nessa altura que abri a janela do quarto. Vai daí, a mosca que gelava no parapeito agarrou a oportunidade do calor do quarto dormido: entrou!
Olhámos uma para a outra. Quantos minutos terei insistido para que se ausentasse? Não os suficientes. Se eu sou teimosa – é o que me dizem –, a mosca ganha-me aos pontos. Como estou a aprender a render-me ao inevitável, retirei-me dessa luta. Há uns tempos atrás teria recorrido a uma arma que me dá poder – pelo menos em relação a esse reino de minorcas, nem por isso menos aborrecido: o insecticida!
Não valia a pena: afinal até me preparava para sair. Era eu que me ausentaria. Fui. Três horas depois regressava. E tu, que ainda estás aqui comigo, calculas que a casa não esteja vazia. É verdade. A senhora mosca – nesta altura já se pode considerar uma senhora, tal a sua resistência – mantinha-se à janela.
A chatice disto tudo são os vidros. Limpara-os no dia anterior. Mesmo que seja uma tarefa que me agrada – uma das minhas formas de limpeza mental –, não me apetecia repeti-la tão cedo. Há coisas mais interessantes que limpar vidros: estou certa que concordarás comigo. É possível até que tenhas alguém que o faça por ti. Aproveito para me oferecer – calma! não sou nenhuma oferecida: nesses termos que porventura magicaste por momentos. De qualquer modo, se quiseres que te visite, terei todo o gosto em ir a tua casa com esse propósito. Assim estejas perto de mim e no final partilhes um chá. Eh lá! Pensas tu que estou a gozar contigo. Podes perguntar à Judite, a quem disse que ajudaria nessa tarefa, para si árdua e aborrecida.
Aborrecida também poderia ser a mosca. Não só continua cá em casa – são três da tarde –, como conseguiu apagar a minha perseverante limpeza; que pelos vistos de perseverante não tem nada. Isto só confirma que a limpeza da casa, tal qual tantas outras coisas na vida, são como o mito de Sísifo. Eternamente repetidas, repetíveis e sempre com o mesmo objectivo: serem repetidas e voltar ao mesmo, apenas porque sim. Neste caso, para ter o vidro transparente. E até que valia a pena essa transparência total: o arco-íris assomou diversas vezes no horizonte. Ali fiquei a contemplá-lo.
Uma contemplação partilhada: com a mosca. É que mesmo que a linguagem não seja a mesma, há coisas para as quais as palavras são de somenos importância. E tu? Apreciaste algum arco-íris hoje? Não te preocupes. Ontem também observei uns quantos. Tendo em conta que a chuva nos continua a fazer companhia: desfruta a sua água e a sua ausência sob o sol. É quase certo que agarres esse instante num longo farrapo azul com uma tira em arco com sete cores. 
A fotografia não a tentes: pode dar-se o caso do instante se ter desvanecido entretanto.
A mosca. Finalmente saiu. São quatro da tarde e ela lá terá concluído a sua missão. O vidro, esse, esperará até que eu necessite de uma pausa nos pensamentos.

Um corte no pé - III



Car@ leitor@, aposto que esperavas por notícias minhas. Escutei vozes desconhecidas – é verídico – e conhecidas também: a Ema, por exemplo. Queriam saber mais. Tal como tu, presumo: com mais ou menos presunção, pensei ser de bom tom continuar-me. Com ou sem ego – sobre isso já sabes.
Antes de começares a ler, assegura-te que estás bem sentad@ e atent@. Mesmo que estejas a ler-me através de um telefone esperto, se eu tive a simpatia de te escrever, tem tu também essa simpatia comigo. Já reparaste que tendemos a reagir de acordo com a atitude do outro e vice-versa? Pois bem, se ainda não te deste conta disso, deixa essa reflexão para depois. Agora estás nesta página virtual. Só aqui! Nada mais existe – apenas este instante. Como tal, verifica que nada nem ninguém te incomoda: nem aquela rapariga gira que está na outra mesa do café – se for o caso. Bom, se valer a pena, podes sempre convidá-la a acompanhar-te nesta leitura. E terão então tema de conversa. Já estás só aqui?
Muito bem. Calculo que uma das questões que te tenha surgido se prenda com a minha vontade de ir ao Chile. Acrescentas ainda – ouço-te o pensamento – este ano? Tens a certeza que estás bem acomodad@? Se for preciso levanta a voz: “Estou a ler! Não quero ser incomodad@”.
É verdade. Antes disso: o pé já sarou! Também é verdade: parece que a minha namorada tinha razão. Só mais um pormenor: em vez da água oxigenada ela usou soro fisiológico - sugestão de uma amiga sua. 
Ir ao Chile é um desejo: se se concretiza ou não são outros tantos. Há pouco tempo apaguei uma série de velas no meu aniversário e no final trinquei duas delas. Ainda é cedo para te revelar a minha idade. Não te posso alagar já de muita informação: neste momento isso não é tão-pouco relevante.
O Chile. América do Sul: desse continente apenas o Brasil. As cariocas são deliciosas: garanto-te. A praia de Copacabana é maravilhosa: o slogan à cidade é merecido e aplica-se a essas areias quentes, cheias de corpos morenos e lindamente sinuosos. Nada como os de muitas europeias que se querem sempre escanzeladas. Nem percebo. Pelo menos para mim, que gosto de agarrar qualquer coisa. Bom, se fores uma leitora, não leves a mal. A verdade é que sempre me fez confusão essa coisa das mulheres pensarem que a sua beleza está na magreza.
Quase um rima, reparaste? Não foi propositado e se calhar nem funciona em termos literários. Se não te importas, deixo como está: quero reforçar a ideia anterior – os meus olhos verdes (dizem que são lindos e luminosos) e as minhas mãos de pianista – só na forma: não sei tocar nenhum instrumento – têm uma certa atracção por corpos em curva, regaços acolhedores e ventres fofos.
Será que no Chile terei oportunidade de alimentar a vista? Vá, só a vista. A minha namorada também me deve estar a ler. Querida, já falámos sobre isto: é certo e sabido que o meu amor por ti não fica nem um milímetro beliscado. Não sou cego! Aprecio a beleza. Assim como a tua! És linda: Sempre!
Ir ao Chile é daqueles destinos que me atrai desde há muito. O México e o Peru também. A Costa Rica é outro paraíso na terra que gostaria de viver e Cuba não me importava de repetir: digo-te até que é dos poucos países que gostaria de voltar.
Estás atordoad@ leitor@. Então é Chile ou quê? Eu esclareço-te leitor@. Estou aqui para isso. Esses e outros países integram o itinerário que vou construindo mentalmente. A viagem começa sempre muito antes de embarcarmos, concordarás comigo leitor@. A partir do momento em que decidiste viajar começas a viagem. A teoria do devaneio é deliciosa para compreender teoricamente esse estado onírico que nos envolve desde o primeiro instante. O devaneio: perguntas-te agora leitor@ se estarei eu nesse estado em relação ao texto que lês. Afinal ainda não avancei muito. Relaxa. Dá uma olhadela em redor. Nada de especial para ver, escutar? Ainda bem, continua-me.
Quero ir ao Chile! E dizes tu: eu também quero muita coisa e olha, estou aqui a ler-te à falta de melhor. Obrigado!
Quero ir ao Chile, mas não apenas. Daí estou receptivo a todos os lugares que as pessoas com quem me cruzar me sugiram. Não digo vivamente, mas de coração. De coração: e logo outra questão ilumina o teu rosto interrogativo. De coração? Claro! É isso que me move. E a ti não, leitor@? Ou és daquel@s que acha que isso é lamechice? Ficas a perder. Saberás isso quando te deixares conduzir por esse ritmo.
O ritmo que me move agora os dedos é o de Justin Timberlake. Agh! Fazes tu! Porquê, perguntar-te-ia se estivesse ao teu lado e pudesse observar o teu olhar. Já o viste a dançar? E danças? Quem dança é mais feliz – diz um amigo muito próximo. Crê de tal modo nisso que está prestes a fazer uma segunda tatuagem com essa frase. Dançar! Na América Latina dança-se muito. Vês, leitor@, não me esqueci da tua curiosidade. Dança, dança, dança!